Estou me preparando desde que fiz aquela promessa à Bella, mas como cumpri-la? Como acabar com a vida de quem a gente mais ama? Como tirar a vida humana, quente e dar-lhe a frieza sem vida?
Decidimos ir a Universidade de Journei no Alaska, Carlisle já conversou com Tânia, Bella passaria alguns dias lá após a sua transformação. No que me for possível tentarei a todo custo fazer com que este dia demore mais e mais para chegar. Gostaria tanto que Bella se formasse antes, que pudesse voltar a ver sua família, quem sabe não mudaria de idéia e quisesse ser humana para sempre. Ela é tão jovem, não conhece nada, às vezes penso que esse seu amor desenfreado por mim não passa de deslumbramento e que um dia pode morrer. Mas sou um egoísta, tento fazer o melhor para ela, mas não consigo, minha vida se perde sem a sua presença. A única mente que para mim é um mistério se mostrou a mais poderosa de todas, ela consegue me dobrar, Bella é como uma droga poderosa da qual dependo fielmente e que sem ela a minha existência se torna inútil.
Percebi as saídas freqüentes de Alice, ela sempre carregava a Bella, compravam roupas de frio, Alice estava certa do futuro dela e isso me entristecia, pois era sinal de que Bella estava mesmo decidida. Eu teria que ceder a minha promessa...
O verão estava no fim, o outono já começava a dar o ar de sua presença, os ventos freqüentes arrancavam as folhas das árvores deixando as ruas em tons marrons e amarelos. Já vi muita coisa na minha longa vida, mas gostava de ver Forks no outono.
Começamos a organizar as nossas coisas, fomos visitar Charlie para nos despedirmos, ele estava pesaroso, eu podia ver o seu rancor. Ele me culpava por tirar Bella dele.
— Vão voltar nas férias? — perguntou ele me encarando.
— Pai, não podemos garantir, sabe o quanto o Alaska é distante. — respondeu Bella sem olhar nos olhos de Charlie.
— Sua mãe vai ficar com saudades. — disse omitindo que era ele que se sentia assim.
— Também vou sentir saudades de Renée — disse Bella se aproximando dele, o abraçando. — e principalmente de você Charlie. — vi lágrimas nos olhos de Bella e de Charlie. Eu estava separando os dois.
— Edward, cuide bem da minha filha — me disse num tom de aviso — quero que ela me dê notícias sempre que puder e me ligue a cobrar se for necessário, eu não me importo.
— Senhor Swan, cuidarei de Bella, eu prometo. Não deixarei que ela tropece numa só pedra — disse fazendo Charlie sorrir, eu retribuí o sorriso e terminamos a nossa despedida com um aperto de mão, Charlie usava luvas e não percebeu a estranheza de minha temperatura.
Bella o abraçou mais uma vez antes de entrarmos no carro, passaríamos no hospital, Carlisle iria conosco até o aeroporto para trazer o carro.
Bella chorava copiosamente, tentei decifrar se esse choro, mas não consegui. Não gostava de vê-la chorar, eu queira consolá-la.
— Eu queria poder saber o que você pensa. — falei — quer desistir?
— Não! — ela me respondeu num soluço. — só estou triste pelo Charlie.
— Não se preocupe você virá visitá-lo. — falei decidido
— Como? Você mesmo me disse que depois que eu for transformada não poderei chegar perto de um humano por um bom tempo.
— Sabe que quero que curse pelo menos um semestre, vai poder visitar Charlie, depois cumpro a minha promessa. — lembrei-a da nossa negociação.
— Você sabe que estou decidida Edward, um semestre é tudo que eu posso esperar, lembre-se disso — Bella me encarou séria, já enxugando as lágrimas.
Paramos no hospital e pegamos Carlisle, ele assumiu a direção. Esme e Alice estavam com ele.
Ao chegarmos ao aeroporto a despedida foi rápida, Esme, pela primeira vez, abraçava Bella sem cerimônia.
— Gosto muito de você Bella. Saiba que te considero como uma filha mande-nos notícias. — falou ela com uma voz baixa, embargada.
— Fico feliz por você gostar de mim — respondeu Bella emocionada.— eu também sinto o mesmo, vocês são a minha família.
Carlisle fizera o mesmo e abraçou Bella com carinho. Alice garantiu que Bella realmente poderia voltar a Forks mais uma vez antes de se transformar, desde que não acontecesse nada que mudasse isso.
— Algo no futuro no Alaska está obscuro, como um grande vazio, fique atento Edward. — me revelou Alice sussurrando ao me abraçar sem que Bella ouvisse.
Apenas acenei com a cabeça.
Esme e Carlisle trocaram olhares comigo, ouvi em suas mentes o quanto estavam preocupados.
Por um instante pensei em desistir, mas não poderia fazer isso com Bella, Alice não viu nada de ruim, o que já era bom.
Levamos nossa bagagem ao check-in, logo ouvimos o anúncio do nosso vôo, seriam um pouco mais de duas horas de viagem. Bella apertou a minha mão, fomos a sala de embarque, nos sentamos próximos a entrada de embarque, Bella se aconchegou no meu ombro e deu um grande suspiro.
— Como se sente — lhe perguntei tentando mais uma vez decifrar seus sentimentos.
— Bem. — sorriu— só estou preocupada com as aulas. Não sei se vou gostar da universidade — me confessou com uma ruga de preocupação
— Fique tranqüila — sorri — essa vai ser uma experiência e tanto, sei que você vai gostar. — beijei-lhe na cabeça.
—Só espero que você cumpra com a sua promessa. — lembrou-me mais uma vez.
— Lhe dou a minha palavra — respondi a contra gosto.
Depois de mais alguns minutos embarcamos, o sol estava prestes a se por, o tempo nublado me poupou de ser atingido pelos seus raios, fechei a Janela ao lado de Bella que dormiu na maior parte do vôo, despedidas a deixava exausta.
Apesar de a viagem ser rápida, pelo fuso horário do Alaska, chegaríamos de madrugada. Iríamos ficar numa pousada não muito longe da universidade. Nossas aulas começariam em alguns dias.
Uma coisa me ocorreu enquanto olhava Bella dormir tranquilamente. Em seis meses ela não mais sonharia, nunca mais.